Procura-se

Às vezes eu me recordo de algo que tive. Um tornozeleira. Eu lembro que sempre estava com ela. E adorava olhar pro meu pé. Mexia de um lado pro outro, olhava no espelho. Não sei quanto tempo passou até eu perceber que eu a tinha perdido.

Perdi? Será que eu dei?
Será que ela quebrou enquanto caminhava? 
Ou será que eu vi e me conformei e minha mente apagou?

Não sei.

Acontece também com livros que eu gostaria de ter. Eu os li mas não lembro se comprei e perdi. Se peguei emprestado. Não sei a quem perguntar. Simplesmente não está ali. Não foi meu? Por onde andará? Emprestei?

Tanto assim é minha experiência com o tempo. Será que o desperdicei? Quando o tive? O quanto tive e quanto me sobrou? Consumi muito ou pouco? Foi significativo ou foi supérfluo? 

Só sei que corro atrás dele e o procuro por toda parte e me culpo enormemente pelo tempo que não sei se perdi.

2 comentários:

Lia Nandhi disse...

E parece que quando mais passa, mais angústia dá, porque menos tempo temos...
Ansiedade, tic tac, ansiedade...

Nerito disse...

Acho que o tempo perde a gente tanto quanto a gente o perde...
Bem, se o tempo é a grandeza da quarta dimensão, eu acho que ele só existe subjetivamente. Se a gente não lembrasse, seria "sempre" para nós. Seria a eternidade.