tão logo breve instante

eu não sei dizer. Respiro fundo e tento tirar minha mente do futuro.
Aproveite o momento, Dora. Aproveite o momento.
Eu olho para você e você sorri para mim.

- acho que já vou embora...
- você não tá feliz aqui?

E você não percebe que esse é o todo o problema. Eu estou muito feliz aqui. Eu passaria semanas em cima dessa cama, colocando e tirando a roupa, entre beijos, sexo, risos e histórias.

Respiro fundo. Estabeleço um horário. Eu vou às 3.

São 6. De repente, tempestade. Eu não trouxe guarda-chuva. Eu não gosto quando chove. Chuvas de verão e paixões passam rápido.

Respiro fundo. São 7. A chuva só piora. Eu quero fugir dali, correr desesperadamente. Deixa a chuva gelada me molhar, me acordar, me lembrar que é muito cedo para eu já te querer tanto.

Te puxo para perto de mim e parece que não há superfície de pele suficiente para saciar minha vontade de você. Te mordo, te aperto. Respiro fundo. Já são 8.

- eu realmente preciso ir.

Porque querer, eu não quero. Mas de alguma forma eu preciso provar para mim mesma que ainda tenho um mínimo de controle.

Eu vou com cada parte de mim querendo ficar.
Aproveite o momento, Dora. Aproveite o momento.

4 comentários:

Lia Nandhe disse...

escrevemos , no mesmo dia, sobre (quase) o mesmo assunto, a breviedade das coisas! Aproveite o momento...é mais ou menos isso mesmo...não há previsão, nem garantia. Simples assim.

Lia Nandhe disse...

Ahh sim...texto sensacional!

Fefa Rodrigues disse...

Dora, vc é demais, seus textos são demais!!!!

Nerito disse...

Gostei muito da comparação entre paixões e chuvas de verão. A felicidade não sufoca. O que sufoca é o desconforto que sentirmos por não nos acostumarmos a ela. (momento auto-ajuda)