persigo uma ideia absurda

hoje minhas margaridas morreram. E não é como se minha mãe não tivesse me avisado.

"Filha, essas flores não vêm com raiz. Não duram muito"

Mas eu a alimentei como se ela fosse para sempre. Reguei. Tirei suas folhas mais velhas e a coloquei num canto privilegiado pelo sol da manhã. Assisti todos dias mais flores sucumbirem. Pétalas e pétalas caídas no chão da sala me informavam a passagem do tempo.

Vê-la morrer pouco a pouco não me preparou tão bem quanto eu esperava para a sua ausência.

Tive vontade de criar um jardim nesse apartamento apertado para suprir minha necessidade de que as coisas durem mais. Como se eu pudesse vencer a qualidade que habita todos nós seres vivos: perecemos. Morremos.

E contraditoriamente, tudo que fazemos advém de uma teimosa necessidade em ser pra sempre.

6 comentários:

Lia Nandhe disse...

As margaridas nããão!!! :(
A efemeridade é a nossa enfermidade! Tem jeito não (?)
Adorei o texto! Somos uma contradição e nada há de se fazer...#óceusóvidaóazar

Dama de Cinzas disse...

Verdade! Queremos tudo pra sempre...

Beijocas

Nerito disse...

é, Dora, uma necessidade que não conseguimos conceber e entender... já que nosso cérebro se deteriora com o tempo, nossas memórias... assim, ainda que nosso corpo vivesse para sempre, seríamos outros... já viu o filme Amnésia?

Bjim,

Fefa Rodrigues disse...

seus textos são ótimos... mesmo curtos dizem muito, muito mesmo!! Adoro!!

Nerito disse...

Oi Dora, quando você vai dar um jeito de nos presentear com mais um texto?

don luidi disse...

Pois é, impregnamos em nossa mente que as coisas só são boas se durarem muito tempo. Esquecemos que não é o tempo mas sim a intensidade que faz com que as coisas sejam eternas pra gente, seja um vaso de margaridas ou um relacionamento.

Belo texto Dora com um fundo de reflexão belíssimo