A pressão a [meu] gosto.

fechei os olhos em março, acordei em agosto.
Agosto que rima com desgosto. Mês de 31 dias e sem feriados.

Minha atual necessidade por tempo, um tempo infinito, um tempo que não sei precisar quanto tempo é.
Só sei que é um tempo.

Um tempo para eu respirar.

Inspira.
O ar, as palavras, o meu texto.
Os momentos finais, pressionados para serem finais.
E que seriam prorrogados, postergados, estendidos até seu último momento, porque é a necessidade de ser último, de ser fim que me move. Tudo precisa ser esgotado, exaurido, consumido até a última gota. A distância, o longo prazo me deixam inerte.

Expira.
O ar, as palavras e o prazo.
A correria. A adrenalina dos metros finais. A visão da linha de chegada, tão longe e tão perto.
O esforço. A insônia. O medo. Tudo isso misturado a um grau de motivação que antes era inexistente.
O agora, a última hora.

meu vício é o efêmero.



3 comentários:

Lia Nandhe disse...

O nosso amiga, o nosso...
O texto ficou maravilhoso! Sou eu ali também (aliás, como sempre...)
A efemeridade é o mal do século! Não há como fugir disso, não vejo como...

Nerito disse...

Puxa, Dora, reta final! Estamos todos torcendo!

Dei uma sumida porque estava correndo pra mandar um projeto pra bolsa da Biblioteca Nacional/Funarte de Criação Literária. Agora é só torcer!

Abraço!

Fefa Rodrigues disse...

Só para constar, meu agosto teria um feriado se ele não tivesse "caído" num sábado" :o/