Devolva-me.

fato é que eu nunca gostei muito do seu beijo. E o nosso beijo nunca combinou.
Gostava ainda menos quando você fumava. E você fumava para me irritar, eu tenho certeza.
Tampouco me agradava a sua mania ridícula e infantil de achar que tinha direito que ficar puto por eu estar puta. Nunca houve tanta incoerência no mundo. Odiava o barulho de mensagem no seu celular e me dá arrepios até hoje o seu ringtone.

Eu tinha completa aversão a sua vaidade exarcebada, ao seu costume de não travar discussões e a sua ideologia barata. Me irritava aquele seu sofá-cama e a impressão que eu tinha, que quando eu não estava ali, você não dormia nele. Eu podia jurar.

Me desagradava o seu gosto musical cheio de bandas de músicas longas, melancólicas e limitadas. Me ofendiam a sua cultura literária, sua preferência por blusas claras e bermudas de uma cor só.

Eu ficava impaciente na sua roda de amigos fútil ou enquanto esperava o seu carro terminar de ser lavado. Me enfureciam os seus atrasos, sua falta de respeito pelo tempo e sua incompreensão com a minha ansiedade. Me feriram as suas mentiras, o seu descaso e a sua expressiva capacidade em me manter ali, mesmo quando o prazo já tinha expirado e quando o cheiro de velho e estragado já era sentido a distância.

A linha tênue que separa o amor e o ódio, a paixão e a indiferença, o acaso e a provocação, não é fronteira. É escolha. E ficar aqui é orbitar ainda mais tempo nessa sua gravidade.

Acabei-me.
Porque só sendo outra, para não ser nunca mais quem eu fui para você.

2 comentários:

Anônimo disse...

Lindo post, pra exorcizar os fantasmas de uma vez! Viva nossos peguetes, vamo combinar q eles ajudam bem no processo! E como mudar eh bom, né?

Lia Nandhe

donluidi disse...

Mudanças são necessárias de vez em quando para não perdermos o gozo pela vida, pelo desafio, pelo conhecer novas pessoas.