A grata surpresa da desilusão

Quando me deparo com alguém com o discurso desprendido do amor livre, eu sempre o imagino como um super herói, capaz de feitos que eu não conseguiria nem em 10 vidas. E eu já reconheci aqui a minha limitação: eu prego um amor bem egoísta, daquele só eu e e você e mais ninguém, que-história-é-essa-de-mais-um.

E eu sou sempre muito curiosa sobre essas experiências de relacionamento aberto, mas até hoje não tinha ninguém para me contar como acontecia. Ninguém que eu pudesse fazer as trezentas e uma perguntas que eu gostaria.

Eis que a vida dá voltas e eu encontro alguém assim. Mas, para minha surpresa, o que eu encontro é alguém extremamente inseguro com a própria condição. Olha só que coisa curiosa... eles têm os mesmos problemas que eu tenho. Há ciúme, há cobrança, há o desequilíbrio comum em todo o relacionamento. Tem sempre alguém mais envolvido e tem sempre alguém que orbita, enquanto o outro vive.

E de repente, a pessoa é tão humana quanto eu. E ao invés de eu perder a admiração, eu consigo admirar ainda mais.

É ou não é fantástico encontrar pessoas que tiveram a ousadia de serem [ou de tentar serem] livres?

2 comentários:

Nerito disse...

Amor livre não deixa de ser um discurso, uma ideologia também. Não é a toa que pregaram isso há algumas décadas atrás. E veja no que deu.

Sim, estou parecendo um moralista. Não é o que eu pretendia. Só quero dizer que existem termos. Amor, amor-próprio, respeito, carinho, desejo. Nem sempre essas coisas todas conseguem ficar no mesmo caldeirão...

donluidi disse...

A pior algema é aquela que ninguém vê que nós mesmos pomos em nosso pulso