A grata surpresa da desilusão

Quando me deparo com alguém com o discurso desprendido do amor livre, eu sempre o imagino como um super herói, capaz de feitos que eu não conseguiria nem em 10 vidas. E eu já reconheci aqui a minha limitação: eu prego um amor bem egoísta, daquele só eu e e você e mais ninguém, que-história-é-essa-de-mais-um.

E eu sou sempre muito curiosa sobre essas experiências de relacionamento aberto, mas até hoje não tinha ninguém para me contar como acontecia. Ninguém que eu pudesse fazer as trezentas e uma perguntas que eu gostaria.

Eis que a vida dá voltas e eu encontro alguém assim. Mas, para minha surpresa, o que eu encontro é alguém extremamente inseguro com a própria condição. Olha só que coisa curiosa... eles têm os mesmos problemas que eu tenho. Há ciúme, há cobrança, há o desequilíbrio comum em todo o relacionamento. Tem sempre alguém mais envolvido e tem sempre alguém que orbita, enquanto o outro vive.

E de repente, a pessoa é tão humana quanto eu. E ao invés de eu perder a admiração, eu consigo admirar ainda mais.

É ou não é fantástico encontrar pessoas que tiveram a ousadia de serem [ou de tentar serem] livres?

Como será o amanhã?

"Tá morrendo de vontade de ir para casa, né?"

E eu disse, claro que não, quero curtir muito a viagem. Mas verdade, verdade mesmo, é que eu estava/estou doida para descobrir se aquilo tem direito a mais um dia, ou se não tinha passado de só uma noite de muitas cervejas, oportunidade e nascer do sol na praia (fruto de um desejo intempestivo da Lia de ver o mar).

Merecendo o bis ou não, dentro de um mundo de possibilidades que se descortinavam e revelavam, eu estava feliz por saber que não planejei nada e que, o que o futuro me reservasse, eu não estava ansiosa por chegar. É bom saber que eu ainda me permito o imprevisível.

E ninguém pode negar que não há nada mais imprevisível que ele.

Pode isso, Arnaldo?

eu queria entender o seguinte mistério: quando estávamos juntos, você não era nem de longe o cara que eu queria pro resto da minha vida. Nem perto. Havia certos aspectos da sua personalidade que me irritavam e que eu não queria, definitivamente, na educação de nossos [possíveis] futuros filhos.

Mas eram aspectos que, para o que nós tínhamos, me cabia muito bem. Verdade é essa. Era conveniente. E eu adorava que fosse somente conveniente. E eu achava que vivíamos bem. A gente vivia bem. E você parecia bem, sossegado, satisfeito. E a gente dizia, saudades. Você me disse: te adoro. E eu não me assustei. Eu tava calma. Eu também estava bem.

Se a gente não podia se ver hoje. Tudo bem. Eu podia te esperar amanhã. Você não me causava aquela ansiedade. Se você demorava a responder a minha mensagem. Tudo bem. Eu esperava e não morria por isso. Era perfeito que eu não te amava, que eu não estava apaixonada, que você era uma boa companhia, que você me tratava bem, que você era gentil, carinhoso e presente.

E eu não me sentia presa. Eu não tinha obrigações e quando eu tinha a oportunidade de ficar com alguém, e eu não ficava, aquilo só significava que eu não precisava de mais ninguém, além de mim. Eu estava plena.

Mas foi você partir, e de repente, não mais que de repente, você é tudo que eu sempre quis. Melhor dizendo, o que a gente tinha, é tudo que eu sempre quis. A liberdade, a companhia. Os filmes, as conversas. A intimidade.  Foi quando eu senti que você não era mais meu, que eu comecei a me importar. E não parei desde então.

Eu poderia enumerar um milhão de coisas que eu sinto falta. E tá tão recente...e o nosso beijo combinava tanto. Eu não sei ao certo o que ocorreu e isso me mata. To catando pedacinhos do meu coração, e eu posso jurar que alguns eu não vou encontrar.

Eu não queria ser ninguém para você. Eu não tinha qualquer pretensão de que você fosse alguém para mim...

Então me explica, porque faz tanta falta....